O Desafio da Avaliação e a Oportunidade do Ensino
“Como preparar nosso alunado para as avaliações externas sem abrir mão de um ensino significativo?” Essa é a pergunta que ecoa entre professores e gestores escolares em todo o Brasil. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) representa muito mais do que uma prova: é um reflexo das práticas pedagógicas, da gestão escolar e da política educacional.
Num contexto em que os resultados do Saeb influenciam decisões políticas e financiamento das escolas, é compreensível a pressão por bons resultados. Mas como alcançar esse objetivo sem recorrer a estratégias de “adestramento para provas”? A resposta está em metodologias que promovem compreensão real, como o uso de materiais concretos no ensino da Matemática.
1. Entendendo o Saeb: Mais que uma Prova, um Retrato da Educação
O Saeb é um conjunto de avaliações em larga escala que tem como objetivo medir a qualidade da educação básica no Brasil. Entre suas avaliações está a Prova Brasil, aplicada a estudantes do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio.
Essas provas não apenas avaliam conteúdo, mas sim a capacidade do aluno de aplicar o conhecimento em situações-problema. Seus resultados são transformados em indicadores como o Ideb, influenciando o planejamento pedagógico, a formação docente e as políticas públicas.
Em recente transmissão oficial mediada pela equipe técnica da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb), foram apresentadas as inovações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), enfatizando o papel do exame como instrumento de diálogo entre as redes de ensino e as políticas públicas. O evento destacou que as mudanças legislativas têm fortalecido o caráter formativo da avaliação, o que amplia a responsabilidade das escolas para promover aprendizagens reais e duradouras — uma perspectiva que reforça ainda mais a necessidade de práticas pedagógicas concretas e significativas.
2. O Saeb e o Ensino de Matemática: A Lógica por Trás da Avaliação
O Saeb valoriza o raciocínio matemático, a interpretação de gráficos, tabelas e problemas contextualizados. Não se trata de decorar fórmulas, mas de compreender relações e resolver problemas do cotidiano.
Segundo a BNCC (BRASIL, 2018, p. 265), o ensino da Matemática deve contribuir para o desenvolvimento da capacidade de investigar, formular e resolver problemas. Isso está em consonância com autores como Skovsmose (2000), que destaca a importância da alfabetização matemática para o exercício pleno da cidadania.
Contudo, muitos estudantes apresentam dificuldades por terem sido expostos a uma Matemática excessivamente abstrata, distante de suas experiências concretas. É aqui que o material concreto ganha força como ferramenta de transição da compreensão para a abstração.
3. O Material Concreto como Estratégia de "Rampagem de Aprendizagem"
Material concreto é todo recurso manipulável que permite ao aluno explorar conceitos matemáticos de forma visual e tátil: blocos lógicos, ábaco, material dourado, geoplano, entre outros.
Ao manipular esses materiais, o estudante percorre uma jornada cognitiva que vai do concreto ao simbólico, como defendido por Piaget e Kamii, em uma perspectiva construtivista da aprendizagem.
Por exemplo, o material dourado ajuda a compreender o sistema de numeração decimal e as operações com dezenas e centenas. O geoplano, por sua vez, auxilia na visualização de formas geométricas e cálculo de áreas.
Esses materiais constam nos kits da MMP Materiais Pedagógicos (2025), que alinhados à BNCC, apoiam escolas em todo o país com soluções didáticas concretas e eficazes.
Essa “rampagem de aprendizagem” cria uma base sólida, preparando os estudantes para interpretar e resolver as questões do Saeb com segurança e autonomia.
4. O Impacto dos Resultados: Usando Indicadores para Planejar
Os resultados do Saeb não devem ser vistos apenas como métrica de desempenho, mas como ferramenta diagnóstica. Eles revelam habilidades consolidadas e lacunas de aprendizagem.
Com base nesses dados, é possível planejar intervenções pedagógicas mais assertivas. Por exemplo, se há baixo desempenho em geometria, é possível intensificar o uso de materiais como a balança numérica da MMP, Poliminós e sólidos geométricos.
A BNCC (BRASIL, 2018, p. 268) reforça que a Matemática deve ser ensinada de forma contextualizada, articulando representações diversas e promovendo o raciocínio lógico e a argumentação matemática.
Uma Educação que Faz Sentido
Preparar alunos para o Saeb é também prepará-los para a vida. Quando promovemos um ensino significativo, com uso de materiais concretos, estamos respeitando o direito de aprender previsto na LDB (Art. 3º, IX) e nas DCN da Educação Básica (BRASIL, 2013).
Mais do que notas, construímos compreensões. Mais do que aprovações, formamos cidadãos. Convidamos professores, gestores e famílias a repensarem o ensino da Matemática, valorizando o concreto como porta de entrada para o abstrato.
Como você pode implementar isso na sua escola? Quais materiais já utiliza? Que parcerias pode buscar?
Reflita, compartilhe e transforme. Porque educar é também preparar para os desafios do presente e do futuro.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. MEC; SEB; DICEI, 2013.
KAMII, Constance. “A Criança e o Número”. Campinas, SP: Papirus, 1985.
PIAGET, Jean. “O nascimento da inteligência na criança”. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
SKOVSMOSE, Ole. “Educação Matemática Crítica: A questão do contexto”. Campinas: Autores Associados, 2000.
MMP Materiais Pedagógicos. Catálogo Digital 2025. Disponível em: www.mmpmateriaispedagogicos.com.br