Matemática Viva: Por que Aprender Precisa Ser Concreto, Sensorial e Divertido

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Por que tanta gente tem trauma de matemática?

Você já ouviu alguém dizer que “não nasceu para a matemática”? Talvez até você já tenha sentido isso. Esse sentimento de aversão é mais comum do que imaginamos e, geralmente, não tem relação com falta de capacidade, mas sim com a forma como a matemática foi ensinada: abstrata, distante da realidade e, muitas vezes, desmotivadora. 

Mas afinal, por que isso acontece? 

A origem do problema: uma matemática que não conversa com a vida

Durante anos, a cultura do ensino de matemática se apoiou em fórmulas, repetições e provas, como se aprender fosse apenas decorar regras. É como tentar ensinar uma criança a nadar apenas mostrando imagens de natação, sem deixá-la entrar na água. Esse modelo, ainda presente em muitas escolas, afasta o aluno da experiência real e significativa. 

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) é clara ao afirmar que a educação deve estar ligada ao mundo do trabalho e à prática social (Lei nº 9.394/1996, Art. 3º, XI). Ou seja, a escola precisa dialogar com o cotidiano do aluno, com suas vivências e desafios. 

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Quando o concreto entra em cena, tudo muda

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça esse princípio ao propor competências que envolvem o uso de conhecimentos para resolver problemas da vida real (BNCC, p. 9). E é aí que entra o uso de jogos, materiais manipulativos e experiências sensoriais: eles tornam a matemática palpável, divertida e significativa. 

Estudos na área da neuroeducação demonstram que a aprendizagem se torna mais significativa quando envolve múltiplos sentidos, emoções e ações concretas. A BNCC reconhece essa abordagem ao propor a mobilização de conhecimentos e habilidades em contextos reais, articulando o saber teórico ao vivencial (BNCC, p. 9). Assim, a utilização de materiais manipulativos vai além da estética lúdica: ela atende às exigências de uma pedagogia ativa, centrada no protagonismo do estudante e alinhada aos princípios da formação integral preconizados pela legislação educacional brasileira. 

A prática pedagógica transformada em evidência

No Congresso CONEDU 2024, pesquisadores apresentaram um estudo sobre o uso de quadrados mágicos com alunos da rede pública. A experiência mostrou que, ao manipular peças, resolver desafios e trocar ideias com colegas, os estudantes não só entenderam as operações matemáticas, mas também ganharam autoconfiança e protagonismo (Costa Júnior, Oliveira & Lima, 2024). Essa prática simples mudou a forma como viam a matemática — de vilã, ela passou a ser aliada. 

Outro estudo, publicado pela UNESP (Gervázio, 2017), revelou que o uso de materiais como tampas, cartolinas e experimentos com areia em turmas do ensino médio resultou em melhorias expressivas no desempenho dos alunos — alguns chegaram a dobrar suas notas. Mais que números, houve maior envolvimento, participação e curiosidade (Gervázio, 2017).

Essas pesquisas não apenas validam a abordagem concreta, como também dialogam com a LDB, que propõe uma educação voltada ao desenvolvimento do cidadão e sua inserção no mundo real (Lei nº 9.394/1996, Art. 2º). 

Práticas vivas para um ensino com sentido

Se você é professor ou pai e está se perguntando como começar, aqui vão algumas ideias: 

  • Geoplano Tangram: ótimos para desenvolver o raciocínio geométrico de forma visual. 
  • Material Dourado e Ábaco: essenciais para que as crianças compreendam o sistema decimal e as operações. 
  • Jogos de cartas matemáticos: estimulam o cálculo mental e a tomada de decisão. 
  • Atividades com alimentos para ensinar frações: tornam o conceito prático e divertido. 

Essas práticas, além de eficientes, estão alinhadas com as competências da BNCC (BNCC, p. 267-298), que incentivam a resolução de problemas, o pensamento crítico e a criatividade. 

Por que isso importa tanto?

Mais do que melhorar notas, ensinar matemática de forma sensorial e divertida é um ato de justiça educacional. É dizer ao aluno: “Você é capaz”. É criar uma ponte entre o saber e a vida. É promover autonomia e autoestima. 

Quando a matemática é ensinada com alegria, respeito às diferentes formas de aprender e conexão com o mundo real, ela deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma aliada na formação cidadã. 

Como dizia Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” — e isso só acontece quando o aluno sente, experimenta, erra, reflete e tenta de novo. 

Transformar o ensino da matemática é mais do que uma mudança pedagógica. É um movimento social que pode mudar histórias, empoderar estudantes e construir um futuro mais justo e criativo. 

Referências legais: 

  • Base Nacional Comum Curricular (BNCC), p. 9, 267-298. 
  • BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, p. 7. 

 

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