Saeb: quando o resultado chega, o que ele pode mudar na sala de aula?

Mais do que uma nota, os resultados podem ser uma pista importante para compreender onde os estudantes estão e quais caminhos precisam ser construídos a partir daqui. 

Quando o resultado de uma avaliação externa chega à escola, é quase inevitável procurar primeiro o número. 

A média aumentou? Caiu? Estamos acima ou abaixo do resultado anterior? 

Essas perguntas são legítimas. Mas existe outra, talvez ainda mais importante para quem está diante dos estudantes todos os dias: 

O que esse resultado nos ajuda a enxergar sobre as aprendizagens? 

Os dados do Saeb 2025 mostram avanço em Matemática na rede pública. No 5º ano, a média nacional passou de 218,3 pontos, em 2023, para 227,4 em 2025. No 9º ano, passou de 249,9 para 255,3 pontos. 

É uma informação relevante. Mas a média é um pouco como uma fotografia tirada de longe: mostra uma parte importante da paisagem, mas não revela todos os detalhes. 

Para transformar resultado em ação pedagógica, precisamos chegar mais perto. 

O Saeb não conta toda a história, mas oferece pistas

O Saeb é uma avaliação em larga escala realizada pelo Inep e ajuda o país, as redes e as escolas a acompanhar a qualidade da Educação Básica. 

Sua função não é substituir o currículo nem dizer ao professor tudo o que deve ser ensinado. O próprio Inep reforça que a matriz de referência da avaliação representa um recorte do currículo. 

Por isso, talvez o uso mais potente do resultado não seja procurar uma lista de “conteúdos em que os estudantes foram mal”. 

É investigar: 

O que eles já conseguem fazer? 

Quais aprendizagens precisam ganhar mais consistência? 

Que conhecimento anterior pode estar faltando para que consigam avançar? 

É aqui que a avaliação começa a conversar com o currículo.

Entre o que o estudante já sabe e aquilo que ainda precisa aprender

As escalas de proficiência do Saeb ajudam a interpretar quais tipos de tarefas tendem a ser realizadas pelos estudantes em diferentes faixas de desempenho. 

No 5º ano, por exemplo, essa leitura pode chamar a atenção para aprendizagens relacionadas ao sistema de numeração, operações, frações, área, perímetro, propriedades das figuras e representação espacial. 

Nos Anos Finais, outras relações ganham complexidade: números racionais, proporcionalidade, representação no plano e pensamento algébrico, por exemplo. 

Isso não significa afirmar que uma unidade temática inteira foi “mal” no Saeb. 

Significa utilizar as evidências disponíveis para formular boas perguntas sobre a aprendizagem da turma. 

E uma boa avaliação deveria fazer justamente isso: ajudar o professor a decidir para onde olhar. 

Recompor não é voltar ao início

Quando uma dificuldade aparece, a primeira reação pode ser retomar a explicação ou oferecer uma nova lista de exercícios. 

Mas e quando o estudante já repetiu aquele procedimento várias vezes e ainda não compreendeu? 

Talvez ele não precise apenas de “mais do mesmo”. 

Recompor aprendizagens exige identificar qual relação matemática ainda não foi construída e oferecer uma nova possibilidade de compreendê-la. 

É nesse ponto que o material concreto pode ganhar força. 

Não como solução pronta e nem como recurso para “treinar o Saeb”, mas como meio para investigar, representar e reconstruir conceitos. 

Se um estudante sabe executar uma conta com frações, mas não compreende por que (1/2) e (2/4) representam a mesma quantidade, as Frações Circulares permitem colocar essas representações lado a lado, sobrepor peças e tornar a equivalência visível. 

Se a dificuldade está na diferença entre área e perímetro, o Geoplano Quadrado permite construir duas figuras, comparar seus contornos e superfícies e descobrir que medidas que pareciam caminhar juntas podem se comportar de maneiras diferentes. 

O professor pode perguntar: 

“Essas figuras têm o mesmo perímetro. Então, precisam ter a mesma área?” 

A resposta não precisa vir antes da experiência. Ela pode nascer da investigação. 

Em aprendizagens ligadas ao sistema de numeração, o Material Dourado permite compor, decompor e visualizar relações que, no algoritmo escrito, muitas vezes aparecem apenas como regras. 

Nos Anos Finais, o mesmo princípio continua válido. Com o Jogando com a Álgebra, por exemplo, termos e expressões deixam de aparecer apenas como letras em uma folha e podem ser representados por peças, favorecendo a passagem entre aquilo que o estudante manipula, observa e registra simbolicamente. 

O material, sozinho, não faz esse trabalho. 

Quem transforma a experiência em aprendizagem é a mediação do professor. 

O resultado pode ser o início de uma conversa

Talvez esse seja um dos usos mais interessantes do Saeb. 

Em vez de olhar para o resultado apenas para responder “como fomos?”, podemos utilizá-lo para perguntar: 

“O que fazemos agora?” 

Qual aprendizagem precisa ser priorizada? 

Que experiência pode ajudar os estudantes a compreender uma relação que ainda não está consolidada? 

Que evidências vamos observar durante essa intervenção? 

E como saberemos se eles avançaram? 

Avaliação, currículo e recomposição deixam, então, de ser três assuntos separados. 

A avaliação oferece pistas. 

O currículo dá direção. 

A intervenção cria novos caminhos para aprender. 

E o material concreto pode funcionar como uma ponte nesse percurso, aproximando o estudante de conceitos que, no papel, ainda parecem distantes. 

Porque o valor de um resultado não está apenas no número que ele apresenta, mas nas decisões pedagógicas que somos capazes de construir a partir dele. 

Na formação Avaliação, Currículo e Recomposição das Aprendizagens, vamos aprofundar justamente esse olhar: compreender os resultados como evidências para planejar intervenções mais intencionais e criar novas oportunidades para que os estudantes avancem.

Referências 

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Sistema de Avaliação da Educação Básica – Saeb. Brasília: Inep. 

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Matrizes e Escalas do Saeb. Brasília: Inep. 

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Resultados do Saeb 2025. Brasília: Inep, 2026. 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. 

GUIMARÃES, Marli Esteves; GUIMARÃES, Cesar de Oliveira. Frações Circulares. Editora MMP, 2024. 

GUIMARÃES, Marli Esteves; GUIMARÃES, Cesar de Oliveira. Jogando com a Álgebra. Editora MMP, 2024. 

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