Figital na educação: quando o concreto e o digital trabalham para a mesma aprendizagem

Tecnologia e materiais concretos podem trabalhar juntos para ampliar a aprendizagem. Neste artigo, exploramos como o figital conecta experiências físicas e digitais com propósito, respeitando o papel do professor na escolha do recurso certo para cada momento da aprendizagem.

Tecnologia e material concreto não precisam ocupar lados opostos da sala de aula. Quando cada recurso cumpre uma função pedagógica, físico e digital podem fazer parte de uma mesma experiência de aprendizagem.

Imagine um estudante diante de um desafio matemático. Ele movimenta peças, testa uma possibilidade, reorganiza a construção e percebe que alguma coisa não fecha. A dúvida apareceu exatamente no momento em que estava pensando.

O que acontece depois?

Ele espera a correção coletiva? Chama o professor? Guarda o material e procura uma explicação? Ou seria possível continuar aquela investigação, recorrendo a outro recurso que o ajude justamente no ponto em que encontrou dificuldade?

Essa cena ajuda a entender uma palavra que vem ganhando espaço quando falamos sobre experiências de aprendizagem: figital.

O termo nasce da aproximação entre físico e digital. Na educação, porém, a ideia só ganha sentido quando vamos além de simplesmente colocar uma tela ao lado de um material. A questão não é quantos recursos estão disponíveis, mas como eles se conectam para ajudar o estudante a avançar.

A sala de aula nunca foi física ou digital

Nos últimos anos, boa parte das discussões sobre inovação educacional foi construída como se fosse necessário escolher um lado. De um lado estavam livros, jogos, materiais concretos e experiências presenciais. Do outro, plataformas, vídeos, inteligência artificial e diferentes recursos digitais.

Na prática, professores e estudantes já circulam entre esses dois mundos.

Um estudante pode construir uma figura no Geoplano, registrar sua hipótese no caderno e depois recorrer a um conteúdo digital para aprofundar uma propriedade que apareceu durante a investigação. Pode explorar uma relação entre frações com peças concretas e, em outro momento, resolver uma situação em uma plataforma. Pode experimentar, registrar, assistir, comparar e voltar novamente ao material.

O suporte muda. A aprendizagem precisa continuar sendo o fio que conecta essas experiências.

É dessa compreensão que parte a estratégia figital apresentada pela MMP em seu novo posicionamento. A proposta não é substituir o material concreto pela tecnologia, mas fazer com que diferentes ferramentas atuem de maneira complementar e com propósito pedagógico.

Essa diferença parece simples, mas é importante. Digitalizar uma atividade não significa necessariamente inovar, assim como utilizar um material concreto não garante, sozinho, que houve aprendizagem.

Em ambos os casos, vale perguntar: o que esse recurso permite ao estudante compreender que talvez estivesse difícil de perceber antes?

Quando a dúvida aparece no meio do caminho

Há um exemplo bastante concreto dentro da própria construção dessa nova MMP.

Ao explicar a integração entre experiências físicas e digitais, César Guimarães, CEO da MMP, descreve uma situação em que a criança realiza uma experiência prática e, ao encontrar uma dificuldade específica, pode acessar uma explicação curta e objetiva relacionada justamente àquela dúvida.

O interessante nessa lógica não é o vídeo em si.

É o momento em que ele aparece.

A tecnologia não chega antes da experiência para explicar tudo. Também não aparece depois apenas para repetir o que já foi feito. Ela pode entrar quando o estudante tem uma pergunta real, criada pelo contato com o problema.

Pense novamente naquele aluno que está investigando área e perímetro. Ele constrói duas figuras com o mesmo contorno no Geoplano e percebe que elas ocupam espaços diferentes. Surge uma dúvida: como duas figuras podem ter o mesmo perímetro e áreas distintas?

Essa dúvida tem valor pedagógico.

É possível discutir com os colegas, reconstruir as figuras, registrar as medidas e recorrer a uma explicação que ajude a organizar aquilo que acabou de ser observado. Depois, o estudante pode retornar ao material e testar uma nova hipótese.

Nesse percurso, concreto e digital não competem pela atenção. Cada um ajuda a pensar de uma maneira diferente.

Tecnologia com propósito começa por uma boa pergunta

aluno resolvendo problemas de matemática da BNCC com material concreto

Quando uma escola adota uma nova tecnologia, é tentador começar pelas possibilidades da ferramenta: o que ela faz, quantas funções possui, quais conteúdos oferece.

Talvez valha inverter essa lógica.

Antes de perguntar “o que essa tecnologia consegue fazer?”, podemos perguntar:

Que problema de aprendizagem estamos tentando resolver?

Um vídeo pode ser muito útil quando oferece ao estudante a possibilidade de rever uma explicação no próprio ritmo. Uma plataforma pode ajudar quando organiza uma jornada coerente de formação. Um recurso de inteligência artificial pode apoiar determinadas tarefas quando existe clareza sobre aquilo que queremos produzir, analisar ou investigar.

Mas nenhuma dessas características nasce simplesmente porque há tecnologia envolvida.

Da mesma forma, nem toda experiência precisa migrar para uma tela.

Há conceitos matemáticos em que mover, encaixar, comparar, medir, construir e desmontar fazem parte da própria compreensão. Nesses casos, retirar a experiência física para substituí-la por uma representação digital pode significar perder uma possibilidade importante de investigação.

O figital ganha força justamente por não partir dessa substituição.

É possível começar com as mãos e continuar com outras linguagens

Uma das ideias que acompanha a trajetória da MMP é tornar relações matemáticas mais acessíveis por meio da experiência concreta. No novo momento da marca, essa experiência passa a dialogar de maneira mais evidente com outras linguagens.

Um conceito pode começar nas mãos, avançar para um desenho, transformar-se em registro matemático, encontrar apoio em uma explicação digital e voltar para uma nova situação-problema.

Não existe uma ordem rígida que sirva para todas as aulas.

O que precisa existir é continuidade de intenção.

O Laboratório Inteligente, apresentado durante o evento que marcou o rebranding da MMP Educação, nasce dentro dessa perspectiva de integração. A cobertura do lançamento o descreveu como uma solução que combina tecnologia, recursos pedagógicos e experiências de aprendizagem.

Esse movimento ajuda a materializar uma questão que está por trás do reposicionamento da empresa: como aproveitar o que a experiência acumulada com materiais concretos ensinou sobre aprendizagem e conectá-la às possibilidades que novas tecnologias podem oferecer?

A resposta não está em colocar tecnologia em tudo.

Está em saber quando ela acrescenta alguma coisa.

O professor continua fazendo a costura

Há ainda um ponto essencial nessa conversa.

Quanto mais recursos entram na sala de aula, mais importante se torna saber por que cada um está ali.

É o professor quem observa que uma turma precisa voltar a uma representação concreta antes de avançar. Quem percebe que determinado aluno já consegue abandonar o apoio das peças e trabalhar simbolicamente. Quem escolhe uma pergunta capaz de abrir uma investigação ou identifica que uma explicação adicional pode ajudar naquele momento.

Por isso, pensar uma educação figital não diminui o papel do professor. Pelo contrário, exige ainda mais intencionalidade na escolha e na articulação dos recursos.

Talvez esse seja um bom critério para avaliar qualquer inovação educacional: ela amplia as possibilidades de aprendizagem e de decisão pedagógica ou apenas acrescenta mais uma ferramenta à rotina?

A diferença entre as duas coisas é grande.

O concreto permite tocar, experimentar e tornar relações visíveis. O digital pode ampliar, aprofundar, oferecer novas representações e criar continuidade. O professor é quem ajuda essas experiências a se encontrarem.

Quando isso acontece, o figital deixa de ser uma palavra de mercado e passa a fazer sentido na sala de aula.

Porque a questão nunca foi escolher entre a mão e a tela.

A questão é saber o que cada uma pode fazer pela aprendizagem.

No próximo artigo desta série, vamos avançar para outra conexão fundamental desse ecossistema: currículo, avaliação e evidências de aprendizagem. Afinal, integrar recursos é importante, mas ainda precisamos responder a uma pergunta decisiva: como saber se o estudante realmente avançou?

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