Além da nota do PISA: como observar a compreensão matemática em sala de aula

Mais do que medir resultados, compreender Matemática significa observar como os estudantes pensam, justificam e aplicam seus conhecimentos em diferentes situações. Este artigo mostra como o professor pode utilizar perguntas, materiais concretos e novas representações para acompanhar a aprendizagem e desenvolver uma compreensão matemática mais significativa em sala de aula.

“Professor, é para dividir?” 

A pergunta aparece antes mesmo de o estudante terminar de ler o problema. Em outra atividade, ele realiza a divisão corretamente. O contraste abre uma questão importante: saber executar um procedimento e reconhecer quando utilizá-lo são aprendizagens relacionadas, mas não idênticas. 

É por essa perspectiva que os resultados do PISA podem entrar na conversa pedagógica. Além de perguntar quanto o Brasil pontuou, vale discutir o que significa aprender Matemática para interpretar situações, tomar decisões e justificar caminhos. 

O que os resultados mostram, e o que não explicam sozinhos

Na edição de 2025, o desempenho médio brasileiro em Matemática permaneceu estatisticamente próximo ao de 2022. Apenas 28% dos estudantes avaliados alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, diante de 65% na média da OCDE. Nesse patamar, espera-se que o estudante reconheça como uma situação simples pode ser representada matematicamente, mesmo sem instruções diretas. Fonte: OCDE — Brasil 

A avaliação contempla estudantes de aproximadamente 15 anos. Seus resultados ajudam a compreender desafios do sistema educacional, mas não constituem um diagnóstico de cada turma. Também não permitem atribuir o desempenho a um único método de ensino ou à atuação individual dos professores. 

Para o planejamento, precisamos aproximar essa discussão das produções dos estudantes: o que registram, como explicam, quais relações estabelecem e em que momento precisam de ajuda. 

Uma resposta errada pode abrir uma boa investigação

Imagine uma proposta de comparação entre um terço e um quarto de um mesmo inteiro. Um estudante afirma que um quarto é maior porque quatro é maior que três. 

A resposta permite investigar uma hipótese: será que ele está utilizando uma comparação que conhece dos números naturais para interpretar as frações? 

Antes de apresentar uma regra, o professor pode perguntar: “Como você poderia representar essas duas quantidades para conferir sua ideia?”. 

Essa pergunta não encerra a atividade no erro. Ela convida o estudante a tornar seu raciocínio observável. 

Onde o material concreto entra nessa conversa

Uma possibilidade é utilizar representações de frações que tenham inteiros de mesmo tamanho. Esse cuidado é essencial para que a comparação proposta faça sentido. 

Diferentes materiais podem apoiar essa investigação, desde que sejam utilizados com uma intenção matemática clara. Com a Base 3 e a Base 6, por exemplo, os estudantes podem explorar agrupamentos, partições e relações entre quantidades, observando como uma mesma unidade pode ser organizada de diferentes maneiras. A comparação entre as bases ajuda a discutir equivalências, composição e decomposição, além de tornar visíveis relações que, no registro simbólico, podem parecer abstratas. 

Material Dourado da MMP oferece possibilidades que vão muito além da representação do sistema de numeração decimal. Ao manipular unidades, dezenas, centenas e milhares, os estudantes podem compreender o valor posicional e perceber, concretamente, as relações de agrupamento e troca entre as diferentes ordens. Mas sua potência não se limita a apoiar a leitura e a composição dos números: o material também permite explorar operações, divisão e frações. 

Nas situações de divisão, por exemplo, os estudantes podem distribuir quantidades, observar o que acontece quando uma unidade precisa ser trocada por dez peças de menor valor e compreender a relação entre o todo, as partes e possíveis restos. No trabalho com frações, é possível representar um inteiro, dividi-lo em partes iguais e investigar relações como metade, terço e quarto, articulando a manipulação das peças à comparação, ao registro e à linguagem matemática. Assim, o Material Dourado favorece a construção de significados para procedimentos que, muitas vezes, são apresentados apenas por meio de algoritmos. 

Já o Geoclick amplia as possibilidades de investigação no campo da Geometria. Ao construir e transformar figuras, os estudantes podem observar propriedades, comparar formas, identificar relações espaciais e justificar suas escolhas. O material permite que uma ideia geométrica seja experimentada, modificada e discutida antes de ser formalizada em desenhos, registros e linguagem matemática. 

Em uma proposta sobre frações, o professor pode convidar os estudantes a representar um terço e um quarto, observar as partes e explicar o que acontece com o tamanho de cada parte quando o mesmo inteiro é dividido em mais partes iguais. Dependendo do objetivo da aula, outros materiais podem ser articulados para explorar relações de quantidade, composição ou representação. 

O material assume, assim, uma função definida: apoiar a investigação de uma relação matemática. A manipulação precisa estar acompanhada de perguntas, comparação e registro. 

Depois da exploração, os estudantes podem desenhar as representações, registrar as frações e escrever uma justificativa. O professor ajuda a estabelecer relações entre o que foi construído, o que foi desenhado e a linguagem matemática. 

O objetivo não é manter a aprendizagem dependente das peças, mas ampliar as formas de compreender e expressar a relação estudada. O impacto do material concreto aparece quando ele ajuda o estudante a perceber uma relação, testar uma hipótese, explicar uma estratégia e avançar para representações cada vez mais abstratas. 

Mudar a situação ajuda a observar a aprendizagem

Após a discussão, uma nova comparação pode ser proposta: qual é maior, um quinto ou um sexto de um mesmo inteiro? Como justificar a resposta? 

Inicialmente, o professor pode solicitar uma previsão sem o material e, depois, disponibilizá-lo para conferência. As justificativas ajudam a observar se o estudante mobiliza a relação discutida ou se ainda precisa reconstruí-la com apoio. 

Também é possível propor uma mudança de representação: depois de explorar uma situação com materiais, os estudantes podem resolver um problema semelhante utilizando desenhos, esquemas ou apenas registros numéricos. Essa passagem permite observar se a compreensão se mantém quando o apoio concreto deixa de estar disponível. 

Esse acompanhamento também orienta a recomposição de aprendizagens. Se a dificuldade está na ideia de partes iguais, a intervenção será diferente daquela necessária quando o estudante compreende a representação, mas ainda não a relaciona ao registro numérico. 

Recompor, nesse caso, começa por identificar o que precisa ser retomado e escolher uma experiência que permita trabalhar essa necessidade. 

A formação continua nas decisões de sala de aula

Uma proposta ganha novos sentidos quando encontra uma turma real. O professor ajusta perguntas, identifica uma dificuldade não prevista e revê o apoio oferecido. Essas decisões também fazem parte de seu desenvolvimento profissional. 

O foco das formações do MMP Academy está justamente na prática do professor: apoiar o planejamento, ampliar o repertório de estratégias e ajudar a transformar os materiais em recursos para observar e promover aprendizagens. O material concreto não é apresentado como um fim em si mesmo, mas como parte de uma proposta didática que envolve objetivos, perguntas, intervenções e formas de acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. 

Esse é o core do MMP Academy: aproximar a formação dos desafios concretos da sala de aula. Ao conhecer possibilidades de uso da Base 3, da Base 6, do Material Dourado e do Geoclick, o professor pode analisar qual material faz sentido para determinada habilidade, que relações ele permite tornar visíveis e como conduzir a passagem da exploração para o registro matemático. 

Na MMP Academy, escolha uma proposta e analise-a com esse olhar: que aprendizagem ela pretende desenvolver? O que o estudante poderá observar, construir ou testar com o material? Que perguntas podem ajudá-lo a explicar o que fez? Como você verificará se ele consegue utilizar essa compreensão em uma nova situação? 

O PISA apresenta um diagnóstico amplo. Em sala de aula, ele pode alimentar uma conversa que se transforma em escolhas intencionais, acompanhamento e novas oportunidades de aprendizagem. 

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