Mês das Infâncias: o material concreto como elo para garantir o direito de aprender
Aprender Matemática na infância vai muito além de memorizar conceitos e realizar cálculos. Por meio de materiais concretos e situações de aprendizagem intencionais, as crianças podem explorar, levantar hipóteses, criar estratégias, comunicar ideias e desenvolver autonomia.
- MMP Materiais Pedagógicos
- agosto 12, 2026
- 1:09 pm
Aprender Matemática na infância também é explorar, levantar hipóteses, criar estratégias, conversar sobre elas e construir autonomia.
Celebrar o Mês das Infâncias também nos convida a pensar sobre as experiências de aprendizagem que a escola oferece às crianças.
Garantir o direito de aprender não significa apenas assegurar acesso aos conteúdos previstos no currículo. Significa criar condições para que a criança participe da construção do conhecimento, experimente, questione, comunique suas ideias e avance com sentido.
Na Matemática, o material concreto pode ser um importante mediador desse processo. Não porque o objeto ensine sozinho, mas porque permite ao professor organizar situações nas quais a criança precisa observar, comparar, decidir, testar e explicar.
A BNCC reforça uma formação que ultrapassa a execução de procedimentos e envolve resolução de problemas, comunicação, argumentação, cooperação e autonomia (BRASIL, 2018).
Quando o material vira situação de aprendizagem?
Um material se transforma em recurso pedagógico quando existe uma intenção por trás da experiência.
No Jogo da Árvore, por exemplo, colocar e retirar frutinhas permite trabalhar contagem, comparação, adição e subtração. Mas o professor pode ampliar a experiência perguntando: “Quem tem mais? Como você descobriu?” ou “Quantas frutinhas seriam necessárias para ficarmos com a mesma quantidade?”. O próprio material prevê ainda a criação de regras pelas crianças, abrindo espaço para decisões e negociação entre os participantes.
Nesse movimento, a criança não está apenas contando. Ela precisa pensar, explicar, ouvir o outro e tomar decisões.
Com o Tangram Oval, a geometria pode nascer de uma investigação. Ao desmontar e reconstruir a figura, comparar peças ou criar novas composições, os estudantes exploram características das formas, relações entre parte e todo, posição e composição.
Em vez de mostrar imediatamente como fazer, o professor pode perguntar:
Qual peça você escolheria primeiro? Por quê? O que precisaria mudar para sua estratégia funcionar?
Já no Jogo do Quarto, observar atributos, antecipar possibilidades e escolher a peça que será entregue ao colega exige análise e planejamento.
Perguntar “por que você escolheu justamente essa peça?” faz com que a estratégia deixe de permanecer apenas no pensamento e passe a ser comunicada.
Matemática, autonomia e convivência podem acontecer juntas
Vygotsky (2007) destaca a importância das interações e da mediação no desenvolvimento e na aprendizagem. Bruner (1966), por sua vez, contribui para pensar a aprendizagem como um percurso que envolve ação, representação e construção progressiva de significados.
Isso ajuda a compreender por que o material concreto não deve ser visto como um fim.
A criança manipula para pensar.
Pensa para levantar hipóteses.
Registra e explica para organizar suas ideias.
Escuta outras estratégias para revisar as próprias.
Ao compartilhar materiais, esperar sua vez, criar regras, defender uma escolha e ouvir soluções diferentes, desenvolve também autonomia, cooperação e responsabilidade.
É nesse momento que o professor assume um papel fundamental: não oferecer a resposta imediatamente, mas organizar perguntas e situações capazes de fazer o pensamento avançar.
Preservar a infância é também preservar o direito de aprender
A aprendizagem não precisa afastar a criança da experiência própria da infância.
É possível aprender Matemática brincando, construindo, investigando, conversando e descobrindo, desde que essas experiências tenham intencionalidade pedagógica.
O material concreto pode ser o elo entre aquilo que a criança faz e aquilo que começa a compreender.
Mais do que oferecer algo para manipular, o desafio é oferecer situações em que a criança tenha algo para pensar, decidir, compartilhar e descobrir.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
BRUNER, Jerome S. Toward a Theory of Instruction. Cambridge: Harvard University Press, 1966.
VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
GUIMARÃES, Marli Esteves; GUIMARÃES, Cesar de Oliveira. Jogo da Árvore; Jogo do Quarto; Tangram Oval; Codificando Figuras com Argolas. Editora MMP, 2024.